Pense antes de gastar. Recicle, reuse, reinvente. Doe o que não usa mais. Tente viver com menos. Gaste menos: dinheiro, luz, água, combustível. Diminua o tamanho do lixo que produz. Prefira produtos ecológicos. Adote o pensamento verde. Use a criatividade.



terça-feira, 18 de outubro de 2011

Há quase um mês estou ausente. Nem adianta dizer que é um momento de crise, que vai passar, que logo retomo o ritmo normal, porque não há, efetivamente, nenhuma garantia disto.
Embora ausente de postagens aqui, tenho passeado bastante por alguns blogs que me fizeram mergulhar e  enredar em minhas idiossincrasias, minhas certezas e incertezas, meus medos e anseios, minhas buscas e encontros. Estou com este texto na cabeça há mais de duas semanas, sem saber ao certo como colocá-lo no papel – e ainda não sei, considerando que muitas ideias se perderam no decorrer dos dias, no fluxo dos pensamentos. O que não impede que eu tente, afinal. E pra começar, listo algumas palavras/temas que desencadearam a crise o momento de reclusão em mim mesma:
  • Sonhabilidade.
  • Ressignificação.
  • Sustentabilidade.
  • Miniminizar.
  • Reciclar.
  • Reutilizar.
  • Escolhas.
  • Consciência.
  • Metas.
  • "novidadeira"
  • “Houve um tempo que...”.
  • Clichês.
  • Paradigmas.
  • Realizações.
  • Cotidiano.
  • “...pequeno embate das entrelinhas...”
Estas palavras, encontradas em posts da Marina, da Ziula, da CSH, da Evelyn, da Ashen fizeram com que eu me visse, de repente, questionando minha vida. Minhas escolhas. Tudo, desde a profissão que escolhi, a profissão que exerço, o que não planejei pra mim, o que sonhei, o que realizei, o que fiz da minha vida. Me vi questionando relacionamentos, atitudes, pensamentos. Ponderei sobre sonhos, sobre efetividade, sobre objetivos. Sobre erros e acertos. Sobre a pessoa que enxergo no espelho. Sobre o momento em que a menina sonhadora que fui e que tinha o mundo pela frente e pés descansados para percorrê-lo, se cansou. Em que ponto aquela menina depositou seus sonhos na beira do caminho e sentou-se à margem, observando o fluxo apenas. Em que exato momento ela se deu conta de que o mundo era maior do que ela podia, e desistiu da parte que lhe cabia.
Parei e me coloquei a pensar no que eu quero. Mas o que eu quero de verdade, mesmo. Será que eu sei, de verdade, o que eu quero? Será que eu quero?

Todas as pessoas que citei aí em cima são inspirações. Gosto de ler seus posts, que invariavelmente me fazem pensar, e muitas vezes parece que me vejo em suas palavras, parece que sou eu escrevendo. Mas no meu atual momento, os efeitos dos posts do  "minimalizo" são tempestuosos, catastróficos, vulcânicos, nossa, nem sei mesmo que palavra define exatamente. Caóticos? A Teoria do Caos explica isto, mais ou menos. Eu acho.

Questões e atitudes a partir de leituras e considerações, desde que comecei meu desafio:
1. Porque, exatamente, me lancei neste desafio de um ano sem compras? (Além do impulso "novidadeiro" que move toda minha vida?)
2. Há 163 dias comecei meu desafio. E junto com "não comprar", decidi também rever outras coisas, minha desorganização caótica, a inércia em que me encontro, meu pendão natural pelo acúmulo de coisas, objetos, lembranças, livros, ..., ..., ....
3. Resolvi, também, minimizar este acúmulo, e me desfazer de coisas inúteis - ou desnecessárias, que acumulei no decorrer do tempo. Estive fazendo um levantamento sobre isto, e fiquei perplexa com este meu dom: em 1995, ao me separar, saí de casa com os filhos e fui para a casa de meus pais. Quando voltei para buscar minhas coisas, o ex definiu o que eu poderia levar ou não - e não foi muita coisa. Quer dizer que, três anos depois, quando finalmente montei minha casa, comecei quase do zero. Em 2003, quando fui para a Bahia pela primeira vez, não podia levar mudança - e distribui tudo o que tinha: vendi alguns móveis seminovos, dei muitas coisas e, sem brincadeira, a quantidade de livros, toalhas, lençóis, utensílios, bugigangas era fenomenal. Conclusão: recomecei de novo, do quase zero. Tudo o que levei foram algumas roupas de cama, toalhas, cavalete de pintura (sim, eu pintava!), coleção de revistas Faça e Venda (sim, sou apaixonada por artesanato!) e pouquíssimos livros (menos de dez, acho) e lembranças de pessoas que amo. Além de uma caixa com todos (sim, eu disse todos) os cartões, bilhetes e presentinhos recebidos dos meus filhos em toda a vida e outra com a correspondência mantida com alguns amigos. Na Bahia, aluguei uma casa mobiliada, mas ainda assim consegui acumular coisas: mais livros, revistas (aff, amo!), material de artesanato, coisas para reciclagem, tecidos (amo bancas de retalhos!), bugingangas. Aí voltei pra Goiânia, fomos morar juntos meus pais e eu. Nesta altura já havia computador, televisão, dvd, máquina de lavar, cama de casal. Voltei para a Bahia, e agora estou em Curitiba. E putz!!!! Já dei muita coisa desde que voltei, e minha casa ainda está entulhada de coisas.
4. Queria ser minimalista, sabe? De todo o meu coração. Mas não consigo. Um dos sonhos que eu tinha era de ter um carro utilitário (olha o sonho da minha filha com a Kombi!) e que tudo o que eu possuísse coubesse ali. Sonhei viver de artesanato (nova hippie enrustida?) e cada vez que acordasse com vontade de me mudar, era só juntar as coisas, colocar no carro e partir. Mas caramba, não consigo! Nem mesmo na decoração. Gosto de coisas que tem história, de lembranças de amigos, gosto de livros, de revistas, de tapetes, de cortinas, de almofadas. Gosto do aconchego que estas coisas transmitem.
5. Então, como eu estava dizendo, decidi "minimilizar" algumas coisas. Organizar a vida. Definir objetivos. Dei mais de vinte pares de sapatos desde então, e se contar quantos pares ainda tenho, não vão acreditar. Não comprei nenhum (sim, eu comprava uma média de um/dois por mês), mas ganhei três de presente de aniversário. Outro dia, lendo um post (e agora não me lembro qual nem de quem, que falava de sapatos) decidi dar todos os meus sapatos de salto. Não os uso, afinal, a não ser em raras e especiais ocasiões (casamentos, festas). Cheguei em casa decidida, peguei todos e coloquei na sala. No fim, ainda fiquei com cinco: um peep toe vermelho de camurça, um peep toe azul e creme, um sapato boneca branco e preto, uma sandália preta, uma ankle boot preta de camurça. Todos clássicos e atemporais, confortáveis. Os outros quatro estão numa caixa que vai para doação neste fim de semana. E isto que eu já tinha destinado uns cinco ou seis para as filhas. Então guardei os cinco, mas gente, eu não uso salto no dia a dia. Não uso. E quero, um dia, me desfazer deles - mas ainda não consegui. O bom é que nesta arrumação sairam também vários sapatos baixos, e duas sandálias que agora moram em Salvador, na casa da sogra. Mas ainda tenho sapatos muito além do que preciso, bem sei. Só não consigo minimalizar mais ainda, pelo menos não agora.
6. Bolsas, nossa! Tinha muitas, de diversas cores e estilos: pra festa, de palha, de tecido, algumas novas que nunca usei (e provavelmente nunca usaria), pro notebook. Reduzi a duas bolsas e a do note. E algumas carteiras (não, não preciso de mais do que uma. Mas ainda estou naquela coisa de "esta eu ganhei da fulana, aquela ganhei da ciclana, esta posso usar em uma festa". Mesmo assim, me desfiz de várias, e não me arrependi. E estou me preparando para reduzir ainda mais este número.
7. CDs e DVDs, uau. Tenho uma caixa linda, cheia deles. Alguns foram presentes, outros são lembranças de trabalho (acho que estes entram como portfólio, não?). E decidi fazer o que tenho visto por aí: vou gravá-los no HD, e dar um fim. Quem sabe um sebo? Ou presentes de fim de ano? Taí uma boa ideia, não? Tenho CDs ótimos! Gente, fala sério, tenho uns vinte LPs. Isto mesmo, vinil. Isto mesmo, uns 20. Agora me respondam, rápido: o que eu quero com vinil, PELAMORDEDEUS? Bom, o original do Superman, de 77, vai ganhar uma moldura e vai ser presente de natal para o seu dono original, meu irmão Sandro. E os outros? Outro dia vi, em um site, uma fruteira linda feita de vinil. Linda, linda. Acho que vou experimentar.
8. Revistas, já contei que dei mais de duzentas. Inclusive a coleção de Faça e Venda (isto doeu!), de Casa Claudia, de Casa e Jardim. Mas ainda tenho algumas de artesanato, as mais recentes (de antes de um ano sem compras) de decoração, algumas Viagem e algumas de Pintura em Tela (o cavalete eu já dei, será que um dia volto a pintar?) e de Scrapbooking (amo, amo!). É, são muitas. Se eu quisesse hoje colocar tudo no carro e sair sem rumo, não conseguiria.

Nossa, comecei este post com uma intenção, e me perdi completamente no caminho. Mas o que eu queria mesmo é dar sinal de vida, contar que estou num momento reflexivo (embora inerte), dizer que fiquei muito feliz com quem sentiu minha falta, dizer que estou sempre passeando por seus blogs (ainda que não comente) e, acima de tudo, dizer que continuo firme. Embora não muito forte. Adorei o post da Marina em que ela fala sobre não estar sendo muito fácil pra ela (e me sinto meio assim também), mas não consigo neste momento colocar aqui. Pra quem quiser, pode conferir aqui o post dela.

E não, não falei sobre tudo, não falei o suficiente, mas agora chega. Pra não ser cansativa (demais). Sendo assim, um grandenorme beijo pra quem aparece por aqui!

P.S.: aquelas palavras, listadas aí em cima, serão temas de posts futuros, se tudo der certo e o deus da inspiração não faltar... =)

3 comentários:

Ziula Sbroglio disse...

Lu,

Saudades de suas letras! Fique tranquila, sempre estaremos por aqui para ler (ouvir) e apoiar no que for possível.

Tenha somente uma certeza, estou convencida de que o processo em que estamos envolvidas é exatamente o mesmo, com os mesmos questionamentos, momentos de silêncio, de reflexão, de dúvida e MUITO DESAPEGO... não é fácil... estou procurando fazer aos poucos para evitar futuros arrependimentos.

Boa sorte e conte comigo!

Bjs

Ziula Sbroglio disse...

Lu,

Saudades de suas letras! Fique tranquila, sempre estaremos por aqui para ler (ouvir) e apoiar no que for possível.

Tenha somente uma certeza, estou convencida de que o processo em que estamos envolvidas é exatamente o mesmo, com os mesmos questionamentos, momentos de silêncio, de reflexão, de dúvida e MUITO DESAPEGO... não é fácil... estou procurando fazer aos poucos para evitar futuros arrependimentos.

Boa sorte e conte comigo!

Bjs

Marina disse...

Lu, adorei encontrar um post seu! Sabe, também ando com dificuldades pra escrever... me sintgo sem inspiração e às vezes me forço umm pouco para não perder o hábito. A Ziula está certa, esse processo muda muito a gente, mexe com muita coisa, nos tornamos um pouco mais simples, mais calmas até.. e acho que o distanciamento do blog tem um sentido dentro de tudo isso, apesar de eu ainda não saber explicar direito o porquê disso... Desapego é bom, mas é meio dolorido, pelo menos pra mim.. a gente fica quieta, pensativa, contemplativa, a gente muda coisas que nunca achoui que fosse mudar... Abraço!

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