Como gastar menos e ser feliz se o meu cérebro entende que comprar é algo prazeroso, consequentemente algo que me faz feliz? Se não comprar (raciocínio lógico) fico infeliz! Mais ou menos, pessoas, mais ou menos.
A questão não é deixar de comprar radicalmente, e pronto. É encarar o consumo dentro do contexto real de necessidade – não dá pra viver sem comprar nada, a não ser um ou outro idealista excêntrico (maluco?) que se proponha a isto. Precisamos comprar desde as coisas mais básicas para nossa sobrevivência: papel higiênico (quem teve o privilégio de passar parte da infância em fazenda sabe que dor de barriga no lugar errado pode ser complicado, não sabe??); escova de dentes, sabão, arroz, feijão e por aí afora até os não tão básicos assim, mas que fazem a felicidade do nosso corpinho: biscoitos, chocolate, creme hidratante, perfumes, sapatos, um tapete fofo... isto sem falar naqueles que por vezes não são necessários pro corpo mas fazem bem pra alma. Gente, fala sério, dá pra viver com a alma faminta? Não, claro que não. Cinema, livros, música, um belo quadro. O necessário é identificar nossos desejos e classificá-los corretamente por níveis de necessidade, buscando atendê-los na medida do possível, sem com isto nos escravizarmos ao consumo, tornando-nos compulsivos. Não preconizo a frugalidade total e absoluta, que fique bem claro – até porque eu seria uma das últimas pessoas a conseguir isto (adoro coisinhas cuti!), mas a necessidade de repensar o que consumimos, o que compramos, o que tornamos obsoleto sem necessidade.
O que acontece é que, com a globalização e a facilidade da comunicação, passamos a ter acesso à informações que antes desconhecíamos, e nossa curiosidade e vontade são instigadas a todo momento, despertando desejos e necessidades que antes não existiam. Quer ver um exemplo fácil?
Sou muito fresca para comidas, não como rins, fígado ou qualquer outra coisa que lembre vísceras animais – mas amo cozinhar, e experimentar novos sabores – ainda que não se tornem habituais no meu cotidiano. Nuncantesjamais tinha ouvido falar em “Flor de Sal”. Um dia vi uma reportagem falando sobre: “...diz a lenda que a flor de sal começou a ser extraída pelos celtas no início da Era Cristã. Em tempos modernos, os franceses são os responsáveis pela disseminação --em restaurantes de alta gastronomia, vale ressaltar-- desses delicados cristais de textura crocante e sabor que lembra violeta...”. As palavras “celtas, franceses, delicados, cristais, textura, crocante, sabor” todas 'juntas reunidas' num parágrafo só definindo 'Flor de Sal' funcionaram como neon amarelo limão numa noite sem lua e estrelas, me atraindo irremediavelmente e despertando a premente necessidade de saber mais, e conhecer, e experimentar a tal flor, que na verdade é apenas um tempero. Algo de que eu nunca ouvira falar se tornou assim algo de urgente necessidade, percebem? Sei que muitas pessoas leram o mesmo artigo e nem tchuns. Estas pessoas, por sua vez, poderiam sentir-se da mesma forma sobre um novo tênis de corrida, um novo creme hidratante, um novo aparelho eletrônico – ou bols, como conta a Nina Horta neste post do seu blogue na Folha. Ou outra coisa qualquer que mexa com seu imaginário e sua história.
O que eu quero dizer é que nosso modo de vida, nossa história, o meio onde convivemos, a mídia, nossos amigos, as redes sociais, tudo age sobre nós, influencia o nosso conceito de necessário e indispensável e impulsiona nosso comportamento consumista. Tudo grita “compre, compre, compre!!! Consuma, consuma, consuma!!!”. Cabe a nós não nos submetermos a este apelo global. Como? Alguns passos que podem ajudar – vou elencá-los aqui num próximo post, mas podemos começar anotando, diariamente, TUDO o que compramos. Seja no cartão, no cheque, no vale alimentação, em espécie. É importante que, ao final de uma semana, possamos saber exatamente tudo o que adquirimos no decorrer daquele período. E ao final de um mês juntamos as listas das quatro semanas anteriores, o que vai nos dar a dimensão do que consumimos no mês. E pode acreditar, analisando com carinho a lista final, perceberemos que compramos desnecessariamente grande número de coisas – a partir daí, SE tivermos o desejo real de mudar, passamos para o próximo passo. Mas isto, meus amigos, é uma outra história porque este post aqui já se estendeu muito além do que eu queria!
Bons tempos a todos!
Estou resgatando partes de um graaaaande texto reflexivo que fiz no dia em que li o texto da Marcia Tolotti, e postando em partes. Esta é uma delas. Acredito, sim, que podemos ser felizes gastando menos - e conscientemente.
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sábado, 9 de julho de 2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Gaste menos e seja feliz!
É muito interessante que este meu desafio traz uma nova visão global à tudo, e por vezes matérias que passariam despercebidas agora saltam aos olhos. Assim foi com o artigo que li nesta semana, na revista Viver Curitiba, escrito pela Marcia Tolotti, psicanalista, que há algum tempo se dedica também à estudar a questão do consumo desenfreado e desnecessário.
Ela responde uma pergunta que muitas pessoas me fazem: comprar é uma terapia? Pode viciar? Sim, para as duas perguntas. Como assim??? Tati, que é bióloga, explica com outras palavras: tudo o que nos dá prazer inunda nosso cerébro de dopamina. E o que é esta tal de dopamina??? Mais conhecida como neurotransmissor do prazer, é a precursora da adrenalina e da noradrenalina, responsáveis pela sensação "boa" de saciedade e felicidade. Na verdade, tudo o que nos dá prazer (chocolate, sexo, compras, ...) estimula a liberação de dopamina, e traz a sensação do prazer. E vicia, sim. Quando estivermos tristes, incompletas, insatisfeitas e sentimentos afins, nosso cérebro vai lembrar dessa sensação boa de felicidade momentânea, e vamos ansiar por senti-la novamente.
*Este texto foi escrito ontem, e o blogger deu tilt. A pessoa que escreve não salvou no word, e perdeu todo o conteúdo escrito, que estava muito mais divertido e profundo. Preciso aprender a escrever primeiro no word para depois publicar!
Ela responde uma pergunta que muitas pessoas me fazem: comprar é uma terapia? Pode viciar? Sim, para as duas perguntas. Como assim??? Tati, que é bióloga, explica com outras palavras: tudo o que nos dá prazer inunda nosso cerébro de dopamina. E o que é esta tal de dopamina??? Mais conhecida como neurotransmissor do prazer, é a precursora da adrenalina e da noradrenalina, responsáveis pela sensação "boa" de saciedade e felicidade. Na verdade, tudo o que nos dá prazer (chocolate, sexo, compras, ...) estimula a liberação de dopamina, e traz a sensação do prazer. E vicia, sim. Quando estivermos tristes, incompletas, insatisfeitas e sentimentos afins, nosso cérebro vai lembrar dessa sensação boa de felicidade momentânea, e vamos ansiar por senti-la novamente.
Outro aspecto interessante abordado por ela é que acabamos relacionando esta sensação de uma maneira mais ampla em nossa vida, acreditando que a felicidade pode ser comprada - e aos poucos, com a descoberta de que isto não é verdade, a sensação de frustração também aumenta. Ipsis literis, ela escreve: "para cada insatisfação, uma saciedade ao alcance da mão - melhor dizendo, ao alcance do cartão." O que acaba, por outro lado, levando à um cenário bastante ruim, que inclusive está sendo discutido neste momento no Bom Dia, Paraná: o endividamento do brasileiro está aumentando.
- Não consumir por consumir; analisar a real necessidade de compras - esta é a postura aconselhada pelo especialista. Ajuda ao meio ambiente, ao nosso bolso, ao nosso coração. Devemos lembrar que o mais importante não tem preço, e que nossa diversão, nosso prazer, nossa meta de vida pode e deve ser muito maior do que simplesmente "compra".
*Este texto foi escrito ontem, e o blogger deu tilt. A pessoa que escreve não salvou no word, e perdeu todo o conteúdo escrito, que estava muito mais divertido e profundo. Preciso aprender a escrever primeiro no word para depois publicar!
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Dia um de 365 (2012 é bissexto, pode????)
Há um dia sem comprar nada... =D
Agora fala sério, né? O meu desafio é NÃO COMPRAR, caramba.
As perguntas/afirmativas do dia:
1. E as saídas?(Já respondi, Paulinha! E sim, manter o controle, nada de gastar mais do que o usual nas saídas.)
2. Você não pode ganhar presentes!COMO ASSIM, NÃO POSSO GANHAR PRESENTES????
PelamordeDeus, o que eu não posso é COMPRAR. “Óbvius est” que não vou pedir presentes, não vou me autossabotar. Não adianta, seria hipocrisia, fala sério:
“ - Então, Pessoa, sabe como é, né? Fiz um compromisso comigo mesma de ser menos compulsiva ao efetuar compras e comprinhas, mas nada contra você me dar um presentinho... que tal aquela sapatilha linda que vi no site da Débora Germani???”
A idéia não é essa. Mas vem aí dia dos namorados (tá, eu sei. Tô solteira. Mas ainda tem um mês... rssss), meu aniversário (e boa leonina que sou, AMO presentes e presentinhos...), natal, caramba! NUNCA peço presentes, mas de vez em quando ganho algum... agora vou recusar SE acontecer? Acho que não, hein??? Fala sério!
O compromisso é com gastos. O que me leva à questão de COMPRAR presentes. Putz, ainda não sei como resolver isto, alguma idéia??? Tenho um casamento mês que vem de alguém que amo (como não dar presente???), aniversários, natal... acho que vou acabar com meu estoque de material de artesanato e com minha criatividade...
3. E como é que você vai fazer com salão? (Como assim, salão???) É, unha,
cabelo...Ai, ai... acho que isto se enquadra no quesito HIGIENE E APRESENTAÇÃO PESSOAL, não? Preciso estar apresentável pra trabalhar, pra me relacionar... fazer a unha, pintar o cabelo (gente, sou completamente grisalha, não me deixaram assumir quando eu quis, agora não dá pra ficar sem tinta!!!), ir à podóloga são coisinhas básicas de cuidados pessoais... assim como hidratante, shampoo, condicionador... concordam comigo? É diferente, por exemplo, comprar um batom. Isto não é ítem de higiene e apresentação social, no meu caso, pois pouco uso. Então, o meu estoque dura tranquilamente um ano sem reposição... (ainda bem que comprei dois perfumes na páscoa!!!)
Poizé. O dia chega ao fim e estou aqui, inteira. Sem comprar nenhuma peça de roupa, nenhum par de sapatos, nenhum acessório e (afff!!!) nenhuma revista.
Dia bom!
NOTINHA: não esquecer de, amanhã, agendar a retomada da terapia. =D
Agora fala sério, né? O meu desafio é NÃO COMPRAR, caramba.
As perguntas/afirmativas do dia:
1. E as saídas?(Já respondi, Paulinha! E sim, manter o controle, nada de gastar mais do que o usual nas saídas.)
2. Você não pode ganhar presentes!COMO ASSIM, NÃO POSSO GANHAR PRESENTES????
PelamordeDeus, o que eu não posso é COMPRAR. “Óbvius est” que não vou pedir presentes, não vou me autossabotar. Não adianta, seria hipocrisia, fala sério:
“ - Então, Pessoa, sabe como é, né? Fiz um compromisso comigo mesma de ser menos compulsiva ao efetuar compras e comprinhas, mas nada contra você me dar um presentinho... que tal aquela sapatilha linda que vi no site da Débora Germani???”
A idéia não é essa. Mas vem aí dia dos namorados (tá, eu sei. Tô solteira. Mas ainda tem um mês... rssss), meu aniversário (e boa leonina que sou, AMO presentes e presentinhos...), natal, caramba! NUNCA peço presentes, mas de vez em quando ganho algum... agora vou recusar SE acontecer? Acho que não, hein??? Fala sério!
O compromisso é com gastos. O que me leva à questão de COMPRAR presentes. Putz, ainda não sei como resolver isto, alguma idéia??? Tenho um casamento mês que vem de alguém que amo (como não dar presente???), aniversários, natal... acho que vou acabar com meu estoque de material de artesanato e com minha criatividade...
3. E como é que você vai fazer com salão? (Como assim, salão???) É, unha,
cabelo...Ai, ai... acho que isto se enquadra no quesito HIGIENE E APRESENTAÇÃO PESSOAL, não? Preciso estar apresentável pra trabalhar, pra me relacionar... fazer a unha, pintar o cabelo (gente, sou completamente grisalha, não me deixaram assumir quando eu quis, agora não dá pra ficar sem tinta!!!), ir à podóloga são coisinhas básicas de cuidados pessoais... assim como hidratante, shampoo, condicionador... concordam comigo? É diferente, por exemplo, comprar um batom. Isto não é ítem de higiene e apresentação social, no meu caso, pois pouco uso. Então, o meu estoque dura tranquilamente um ano sem reposição... (ainda bem que comprei dois perfumes na páscoa!!!)
Poizé. O dia chega ao fim e estou aqui, inteira. Sem comprar nenhuma peça de roupa, nenhum par de sapatos, nenhum acessório e (afff!!!) nenhuma revista.
Dia bom!
NOTINHA: não esquecer de, amanhã, agendar a retomada da terapia. =D
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