Pense antes de gastar. Recicle, reuse, reinvente. Doe o que não usa mais. Tente viver com menos. Gaste menos: dinheiro, luz, água, combustível. Diminua o tamanho do lixo que produz. Prefira produtos ecológicos. Adote o pensamento verde. Use a criatividade.



segunda-feira, 13 de junho de 2011

Paradoxos cotidianos

Eu tinha dezessete anos, e acabara de receber meu primeiro salário  como “auxiliar de analista de crédito”, na Riachuelo.
Saí da loja ao sol do meio dia na Avenida Brasil, em Foz, dona do mundo. Meu primeiro ordenado, nossa! Dinheiro ganho por mim! Olhei pra direita, olhei pra esquerda traçando rotas. Depositar e guardar o dinheiro não passou nem de longe pela minha cabeça, claro. Aproveitei o horário de almoço e gastei todo. Ou quase todo. Com presentes. Comprei presentes para meu pai, minha mãe, meus irmãos. E óbvio, para mim.
Lembrei esta história ao ler, no site da Previ, sobre educação financeira. O relato de um colega aposentado me fez refletir todo o dia sobre a relação que tenho com o dinheiro, com poupar, com comprar. O que, na verdade, significa poupar pra mim. E comprar.
Não, ainda não sei, não cheguei a uma conclusão e, definitivamente, tenho medo de chegar. Gosto de montão de comprar, não é novidade. Mas não gosto de comprar apenas pra mim, é fato. Amoamoamo comprar presentes, amo presentear as pessoas, mesmo sem motivo (gostar não é motivo? Encontrar algo que é a cara da pessoa, náo é motivo? Mostrar que pensou na pessoa não é motivo?). Mas até que ponto gosto de presentear e até que ponto gosto do ato de adquirir algo bonito, agradável, eticétera e tal? Ainda não sei, também. Ou melhor, sei, sim. GOSTO DE PRESENTEAR. Tanto que os melhores presentes que dei na vida tinham pouco de dinheiro e muito de mim. Lembrei agora, particularmente, de um presente que fiz pra minhamiga Claudia Wilsen: escolhi a dedo, durante vários dias, textos que gosto, que me tocam, textos que escrevi, de outros autores, frases, poemas. Formatei-os como livro, imprimi, mandei na gráfica cortar, providenciei uma capa linda com papel estampado (meus dotes não alcançam o design), mandei encadernar e voilá: ficou show. Da mesma forma, ano passado Cloé fez sessenta anos, e eu queria um presente especial. Bordei uma almofadinha de pescoço, linda e delicada em tons de rosa, com seu nome. Fiz um scrapp com um poema lindo da Lya Luft e fotos suas que
amo. Montei tudo numa cesta com pequenas delicadezas, como chás, torrões de açucar, um casal caipira (seu aniversário cai no dia de São João) segurando uma faixa de felicidades (o casal eu já tinha de outros “são joões”). Amei o resultado, e acredito que ela também tenha gostado. De onde concluo que o comprar não tem nada a ver com o presentear em si. Respondendo à pergunta de Marina, sim, comprar é uma terapia. Deliciosa, aliás. Mas pode também se tornar um vício quando acontece apenas pelo consumo - um vício horrível e devastador! Aff!!!! Mas voltando ao princípio do post, e ao texto que citei, acredito que muito de nossa relação com o dinheiro/consumo tem a ver com a educação financeira – inúmeras vezes nossos pais (ou nós mesmos com nossos filhos) erramos ao “facilitar” a vida, dar “tudo o que se pode”.
Nem sempre aprendemos assim, e aí nos perdemos no caminho, sendo facilmente uma “Becky Bloom” - e a recuperação de uma relação saudável com consumo nem sempre é roteiro de filme, com final feliz.
Então, pessoas lindas que me dão a honra de sua atenção, resumindo: não tem sido fácil. Nem um pouco, as tentações estão em todo lugar. Mas de verdade? Não tem sido tão difícil assim.

3 comentários:

Marina disse...

Lu, acho que de todos os posts que você escreveu esse foi um dos que mais gostei. Você consegue escrever com muita fraqueza e naturalidade aquelas coisas que todo mundo sente mas que, de tão presentes, a gente nem perebe que existem, não para pra pensar nelas. Adorei o modo como terminou seu post falando que tem sido difícíl mas também que não tem sido tão difícil assim. sinto igual. Às vezes fico meio ansiosa sem saber o que fazer, como se parar de comprar tivesse que ser uma espécie de acontecimento. E não sei de onde vem isso...

Gostei tanto da sua ideia de escrever sobre o seu primeiro salário que queria perdir sua autorização para, em breve, escrever um post desse tipo no meu blog(acho chato roubar ideia dos outros). Sabe, o início da minha vida profissional é bem recente e as circuntâncias em que se deu foram tão malucas e tãso estressantes que eu realmente nunca pude parar para pensar realmente nisso e na verdade acho que nem caiu direito a minha ficha de que formei: colei grau numa quarta feira as 10 da manhã, entrei num avião com a minha mudança dentro da mala, passei no CRP (conselho regional de psicologia)daqui de curitiba e entrei com o pedido do registro, fui na prefeitura com uma declaração da faculdade e a outra do CRP e tomei posse do meu cargo de psicóloga faltando 2 horas para o encerramento do prazo que eu já havia extendido através de manobras judiciais... passei no concurso antes de me formar. Não tive festa de formatura e a minha colação de grau foi numa repartição da faculdade, numa mesinha feia cheia de papéis com dois profesores de outros cursos. Minha mãe tirou uma foto com a máquina digital. Já tinha ganhado dinheiro antes, mas nunca um salário decente. Quando recebi meu primeiro holerit e o salário eu nem sabia direito o que teria que pagar com ele... não tinha referência nenhuma. Foi muito estranho mas muito bom ao mesmo tempo... Bem, esse comentário já está virando um testamento... Grande abraço. Boa noite.

Marina disse...

Ai Lu, perdoe, como sempre, meu mil erros gramaticais... é o sono...

Luiz Henrique disse...

Lucemary,
Gostei muito do "Tanto que os melhores presentes que dei na vida tinham pouco de dinheiro e muito de mim."
Essa é uma prática que usamos mais quando estamos com menos dinheiro. Infelizmente.
Abraço.
Luiz Henrique

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